Mundo de ficçãoIniciar sessãoLaysla Martins sempre foi uma mulher de sonhos simples: concluir a faculdade de veterinária, cuidar dos animais e honrar a memória dos pais, que perdera tragicamente. Mas o destino, cruel e imprevisível, não se contentou em tirar apenas sua família — levou também suas esperanças, seus estudos e sua estabilidade. Desesperada, sem dinheiro e sem perspectiva, ela aceita uma proposta no mínimo... inusitada. Um inventor excêntrico oferece uma fortuna para que ela passe uma semana andando nua pela sua mansão, alegando que aquilo “estimula sua criatividade”. Humilhante? Talvez. Loucura? Com certeza. Mas quando a vida te joga no fundo do poço, até os limites se tornam flexíveis. O que Laysla não imaginava é que aquele encontro bizarro a lançaria em um destino ainda mais insano. Curiosa demais, ela ativa acidentalmente uma máquina misteriosa... e acorda em pleno ano de 1900, perdida, nua e completamente vulnerável em um pasto, sob olhares desconfiados — e perigosamente desejosos — de três fazendeiros.Isidóro, o mais velho, é rude, bruto e carrega nos olhos tanto desprezo quanto desejo. Bento, o do meio, esconde um coração gentil, carinhoso, que tenta protegê-la do próprio tempo em que vive. Teófilo, o caçula, é atrevido, insolente, sedutor... e não perde uma oportunidade de provocá-la. Presa em um século onde uma mulher livre é escândalo, Laysla precisará enfrentar mais que os desafios de sobreviver no passado. Terá que lidar com os próprios desejos, com os segredos daquela fazenda... e com três homens capazes de incendiar seu corpo, bagunçar sua mente e, talvez, conquistar seu coração. Porque, no fim das contas, a maior viagem no tempo... é aquela que te faz perder o juízo.
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Me chamo Cristiane - Crisfer Se você chegou agora, já quero te fazer um convite especial: vem embarcar nessa jornada comigo. Essa história foi escrita com muito carinho, intensidade e emoção e eu espero de verdade que ela te envolva do começo ao fim. Deixe comentários pra eu saber se está gostando. Ah, e não para por aqui… Se quiser ficar por dentro de novidades, lançamentos, spoilers e tudo o que vem por aí, me acompanha lá nas redes sociais: @crisfer_autora Vou amar ter você mais pertinho --- Sabe aquela sensação de que a vida te atropelou e nem fez questão de olhar pra trás? Pois é. Eu sei bem como é. Meu nome é Laysla Martins — ou Lali, como meus pais me chamavam. Ou... como chamavam. Porque eles se foram. Assim. De repente. Como quem apaga a luz e deixa tudo no escuro. Eles estavam viajando. Tinham ido até uma cidade vizinha comprar meu presente de conclusão da faculdade. Veterinária. Meu maior sonho desde que me entendo por gente. E eles estavam tão orgulhosos… Faltava pouco. Só mais um semestre. Mais alguns meses e eu teria meu diploma nas mãos. Mas bastou um caminhão desgovernado e uma curva errada pra tudo desabar. Eles se foram. E junto com eles, foi embora minha casa, minha segurança, meus planos, meus sonhos... tudo. De repente, eu estava sozinha no mundo. E não, eu não tenho avós, tios, primos… ninguém. Só eu. E as contas. Muitas contas. Tentei segurar as pontas. Continuei na faculdade enquanto dava. Peguei um emprego de atendente em uma pet shop. O salário não era lá essas coisas, mas pelo menos me mantinha respirando — aluguel pago, uma comidinha no armário e o boleto da faculdade empurrado mês a mês, no sufoco. Mas a vida, essa filha da mãe incansável, não cansa de bater. — Lali... não leva pro lado pessoal, tá? — disse meu chefe, sem nem conseguir olhar nos meus olhos. — A loja tá passando por uns cortes... você é ótima, mas... Não precisei ouvir o resto. Já sabia o que vinha. Fui mandada embora. Assim. Sem mais, nem menos. Nem três anos ralando ali fizeram diferença. Empresa é empresa. Saí daquele lugar meio zonza, andando sem rumo. As pernas tremiam, parecia que eu ia desabar no meio da calçada. Mas não desabei. Não podia. Quem é pobre não tem esse luxo. A gente engole o choro, ajeita o cabelo, respira fundo e segue. Nos dias seguintes, mandei currículo pra todo canto. Mercado, padaria, loja, cafeteria, qualquer coisa. Fiz entrevista pra recepcionista, pra auxiliar de limpeza, pra caixa de supermercado… Mas nada. Sempre a mesma desculpa: “assim que surgir uma vaga, a gente te liga.” Nunca ligavam. As semanas foram passando. E com elas, a grana foi sumindo. Primeiro, vendi meu notebook. Depois, algumas roupas. Depois, o micro-ondas. E por último, aquela bicicleta ergométrica que só servia pra pendurar roupa. Quando percebi, tinha três boletos da faculdade atrasados — e a notificação: “Em caso de não pagamento, matrícula será suspensa.” Além disso, o aluguel já batia na porta, e com ele, o risco real de ser despejada. As noites eram longas. Eu ficava olhando pro teto, pensando onde foi que eu errei. Talvez em ter acreditado que estudar mudaria minha vida. Talvez em ter achado que o mundo seria justo comigo. Besteira. A vida real não tem conto de fadas. No meio desse caos, uma das poucas pessoas que ainda me estendiam a mão era a Lídia. Minha amiga desde os tempos da escola. Linda, boca afiada, sem papas na língua e dona de uma confiança que beirava o absurdo. Ela sempre dava um jeito de aparecer, puxar minha orelha e tentar me arrancar um sorriso. — Tá feia a coisa, né, amiga? — ela perguntou, na última vez que veio aqui em casa, jogando a bolsa no sofá. Suspirei, apertando o travesseiro contra o peito. — Feia não… tá horrível. Tô no limite, Li. Acho que agora... é o fim da linha pra mim. Nem sei mais o que fazer. Ela ficou me olhando por alguns segundos. O olhar dela mudou. Ficou sério. Intenso. — Olha… eu não queria chegar nesse ponto com você, mas… acho que tá na hora de te contar uma parada. — Que parada? — franzi a testa, desconfiada. Ela cruzou as pernas, ajeitou o cabelo e me encarou como quem tá prestes a jogar uma bomba no colo de alguém. — Eu sei que vai soar meio chocante, mas… eu tô fazendo uma grana, Lali. Muita grana, pra falar a verdade. — E o que é? — arqueei a sobrancelha. — Tá traficando órgãos? — forcei uma risada, mas já sentia um frio esquisito no estômago. Ela revirou os olhos. — Não viaja. É algo… diferente. Digamos que... é um job. — Fez até aspas com os dedos. — Job? — repeti, meio sem entender. — É... um trampo. Um trampo que paga muito, muito bem. — Ela respirou fundo. — Eu tô... saindo com uns caras. Uns caras de grana. Só homens selecionados, sabe? Não é zona, não é puteiro... é coisa de alto nível. Mulheres bem cuidadas, caras ricos, tudo às claras, sem estresse, sem violência, sem essas paradas pesadas. Só… companhia. E claro… favores. Fiquei em silêncio. Por alguns segundos, não consegui dizer nada. Só encarei ela. O coração batendo descompassado, a boca seca, a mente tentando processar. Ela continuou, como se quisesse me acalmar: — Olha, eu sei que pode parecer absurdo. Mas, amiga… é real. Eu fiz um job na semana passada. Um único job. Cinco mil na mão. Uma noite. E nem precisei fazer nada além de... bem, você imagina. Mas é tudo acordado antes. Sem surpresas. Sem humilhação. Sem abuso. A gente tem o controle, sabe? E eu... eu pensei em você. — Em mim? — minha voz saiu quase num sussurro. Ela assentiu. — Sim. Tem um cara, um cliente. Diferente dos outros. Meio excêntrico, pra falar a real. Mas inofensivo. Tá procurando uma garota nova. É só um job, amiga. Um único. E resolve sua vida por um bom tempo. Senti um arrepio subir pela espinha. Meu cérebro gritava que não, que não podia ser isso, que não era possível que minha vida tivesse chegado nesse ponto. Ela pegou o celular na bolsa, digitou alguma coisa, me olhou e sorriu, daquele jeito meio cúmplice, meio travesso. — Se quiser... é só me falar. Eu te passo o contato. O job é certo. Fiquei muda. O silêncio tomou conta do quarto. Só dava pra ouvir a buzina distante de algum carro na rua e meu próprio coração batendo no peito. Minha garganta apertou. O olhar dela tava cravado no meu, esperando minha resposta. Mas... eu não disse nada. Ainda.O sol ainda estava dormindo quando acordei com o cheiro de terra molhada. Levantei sem fazer barulho, deixando Isidóro e Teófilo roncando no quarto. A estufa da mãe me chamava — desde que ela partiu, cuidar daquelas plantas era como rezar. Mas quando abri a porta de madeira rangente, o ar morno me abraçou junto com uma visão que fez meu coração disparar: Laysla, nua como Deus fez, agachada entre os pés de manjericão. — Bom dia, tímido do meu coração. — ela disse sem virar, como se soubesse que eu estava ali parado, engolindo seco. A luz do amanhecer entrava pelos vidros embaçados, pintando o corpo dela de dourado. Nunca me acostumaria com aquilo — com a curva das costas dela, com o jeito que os cabelos loiros caíam sobre os seios, com aquele quadril que balançava quando ela se mexia. Meu pau endureceu na hora, como sempre acontecia perto dela. — Vi.. vim cuidar das plantas — gaguejei, tentando disfarçar o volume nas calças. Laysla riu baixinho e se levantou, esticando os bra
Gente, sério... o que foi aquilo? Um minuto eu tô numa casa estranha, cheia de bugiganga de 1900, ouvindo um inventor com cara de cientista maluco me dizer que eu só posso continuar viva aqui se ficar pelada, e no outro tô sendo carregada no ombro feito um saco de batata por um caipira furioso, atravessando a cidade no meio do povo. — Isidóro! Me solta, seu cavalo! — eu gritava, batendo nas costas dele. — Ocê não entendeu, né? Não é brincadeira, mulher! — ele dizia, firme, bravo, com aquele sotaque que eu já achava sexy demais. — Já pensou se ocê desaparece? Tá. Confesso. No fundo, bem no fundo, eu achei... excitante. Isidóro é bruto. Ele não pede, ele toma. E naquele momento, por mais maluca que fosse a situação, parte de mim queria mesmo que ele me tomasse daquele jeito. Com urgência, com posse. Chegamos na fazenda, e ele não parou. Me jogou direto na cama, com vestido e tudo. — Isidóro! Calma! — eu protestei, mas meu corpo já tava pegando fogo. Ele olhou nos meus olhos, aqu
O homem ajustou o monóculo, piscando algumas vezes enquanto observava a moça à sua frente com um tipo de curiosidade científica misturada com espanto. Os cabelos loiros dela pareciam brilhar sob a luz que entrava pela janela alta. O vestido florido, ainda que singelo, destoava completamente da estética rústica do século. E, por um momento, o inventor sentiu um arrepio de antecipação. Ela era real. Não apenas uma suposição, nem um rumor — uma viajante do tempo ali, na sua sala. Fruto de um experimento que ele mesmo considerava perdido. — Não me olhe assim, senhor. — ela disse cruzando os braços, tentando disfarçar o desconforto. — Vai explicar ou vai me estudar com os olhos? O homem sorriu. — Como se chama, minha jovem? — Laysla. — E veio de 2025, é isso mesmo? Ela assentiu, mas já estava perdendo a paciência. O mais velho dos irmãos, Isidóro, bufava no canto da sala, impaciente. Teófilo olhava os instrumentos do laboratório como se fossem peças de outro planeta, e Bento mantin
Acordar daquele sonho esquisito já tinha sido o suficiente pra me deixar inquieta. Mas descobrir que o Isidóro tinha sonhado exatamente a mesma coisa… aí já era demais. Ele, que sempre duvidava da minha história, ficou pálido igual leite. Não disse muita coisa, como sempre, mas o olhar dele entregava o que a boca não conseguia: ele acreditava. Finalmente.Foi ideia dele irmos à cidade. Disse que o pai deles, antes de morrer, trocava cartas com um homem da capital — um sujeito diferente, meio maluco até, que trabalhava com “coisas modernas”. Ele usou essa expressão mesmo. Coisas modernas.— Esse homem é cientista, mexe com máquinas... ocê não disse que tava numa máquina quando veio parar aqui? Pois então. Vai que é o mesmo? — ele disse, já com a carroça pronta.E olha, não sei se foi intuição, mas meu coração acelerou. Tive a impressão de que a gente tava mais perto da verdade do que nunca.Aquele mesmo com o sobrenome igual ao da minha época.— Se ocê veio do tempo de lá… talvez ele s










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