A luz da manhã entrou pelas janelas sem cortina da velha casa no Cosme Velho. Diferente da luz dos hotéis de luxo, ali o sol não pedia licença — ele invadia, real, quente, humano.
Helena acordou primeiro. Ainda nua, o lençol grudado na pele úmida de suor, misturado com o cheiro de Miguel, da noite, do que não devia, mas já não conseguia evitar.
Miguel dormia pesado, o rosto sereno como se, pela primeira vez em muito tempo, tivesse encontrado descanso. Ela o observou por longos minutos. As so