Miguel acordou com um gosto amargo na boca. Não era bebida. Era pressentimento.
Ao seu lado, Helena ainda dormia. O rosto virado para ele, os cabelos espalhados no travesseiro. Pela primeira vez em dias, ela parecia leve. Pela primeira vez, em muito tempo, havia silêncio — não o silêncio do medo, mas da trégua.
Ele se levantou devagar, sem fazer barulho. Andou até a cozinha, ligou a cafeteira e, enquanto o cheiro amargo do café tomava o ar, pegou o celular no balcão. Uma nova mensagem piscava n