A manhã chegou devagar, quase respeitosa, como se o mundo soubesse que dentro daquela casa existiam silêncios que não podiam ser quebrados com pressa. Helena abriu os olhos antes mesmo do despertador tocar. Por um instante, não reconheceu o quarto. O teto branco, as cortinas claras, o silêncio diferente. Então a lembrança veio inteira, como um sopro quente no peito: ela estava na casa de Arthur.
O beijo.
A chuva.
O jeito como ele segurara seu rosto.
Seu coração acelerou imediatamente, como se tivesse acabado de correr. Levou a mão ao peito, respirando fundo, tentando se acalmar. Sentia o corpo estranho, sensível, como se cada centímetro ainda estivesse desperto. Não tinha dormido de verdade. Apenas cochilado entre pensamentos, imagens e sensações que insistiam em voltar.
Levantou-se devagar, vestindo novamente a camisa dele que havia usado para dormir. O tecido ainda carregava o cheiro masculino que a deixava confusa e, ao mesmo tempo, estranhamente segura. Caminhou até a porta do qua