Helena tentou convencer a si mesma de que aquela manhã seria diferente. Acordara cedo, organizara a casa com um cuidado quase exagerado, como se alinhar livros, dobrar roupas e limpar superfícies pudesse colocar seus sentimentos no devido lugar. Mas bastou sentar-se no sofá, com uma xícara de café ainda quente entre as mãos, para entender que não adiantava fugir.
O beijo ainda estava ali. Vivo. Ardente.
Ela fechou os olhos por um instante, lembrando-se do jeito como Arthur a segurara, como se o mundo tivesse parado apenas para eles. Aquilo não fora apenas desejo. Tinha sido reconhecimento. E isso era o que mais a assustava.
O celular vibrou sobre a mesa de centro, fazendo seu coração dar um pulo involuntário. Por um segundo, ela pensou que fosse Arthur. O peito chegou a doer com a expectativa. Mas quando pegou o aparelho, o nome que apareceu na tela foi outro.
Lucas.
Ela respirou fundo antes de abrir a mensagem.
“Oi, Helena. Voltei ontem à noite. Pensei em você durante a viagem. Esper