Helena acordou com o som distante de vozes infantis e o cheiro de pão sendo aquecido no fogo. Demorou alguns segundos para lembrar onde estava. Quando abriu os olhos e viu o teto claro, a cortina de renda balançando com a brisa leve da manhã, o coração desacelerou.
Casa.
Ela se espreguiçou devagar, sentindo o corpo menos tenso do que nos dias anteriores. Ainda havia um peso no peito, uma inquietação silenciosa, mas ali ele parecia menos agressivo, menos urgente.
Levantou-se e foi até a janela. A rua ainda estava calma. Algumas vizinhas conversavam baixo, crianças pedalavam bicicletas pequenas, o sino da igreja ao longe marcava as horas. Tudo seguia um ritmo diferente daquele da cidade grande. Um ritmo que respeitava o tempo.
Helena respirou fundo.
Na cozinha, a mãe já estava de avental, virando fatias de pão na frigideira.
— Bom dia, dorminhoca — disse Dona Teresa, sem se virar.
— Bom dia, mãe.
— Dormiu melhor?
— Um pouco — respondeu, sincera.
A mãe assentiu, como se já esperasse por