O café tinha terminado há poucos minutos, mas a mesa ainda estava posta. Restavam xícaras vazias, farelos de bolo espalhados pela toalha e aquele cheiro doce e familiar que só existia ali, naquela casa. Helena levantou-se junto com a mãe e a irmã, automaticamente, como fazia desde menina.
— Deixa que eu ajudo — disse, já recolhendo alguns pratos.
— Claro que ajuda — Camila respondeu, sorrindo. — Aqui ninguém fica parada.
As três se moveram pela cozinha com naturalidade. Dona Teresa levava as xícaras para a pia, Camila juntava os guardanapos, e Helena empilhava os pratos com cuidado. Era um gesto simples, cotidiano, mas que trazia uma sensação de pertencimento que ela não sentia havia muito tempo.
— Você ainda lembra onde ficam as coisas — comentou a mãe, observando-a abrir o armário certo sem hesitar.
— Algumas coisas a gente nunca esquece — Helena respondeu, quase sem pensar.
Quando a mesa finalmente ficou vazia, Camila enxugou as mãos no pano de prato.
— Vou lá fora ver as crianças