Helena acordou antes do despertador naquela manhã. O céu ainda estava num tom pálido, entre o azul e o cinza, e a casa permanecia em silêncio. Por alguns segundos, ficou deitada, olhando para o teto do quarto de infância, tentando entender por que o coração estava apertado se, ao mesmo tempo, sentia uma estranha serenidade.
Ela sabia.
Sabia que precisava voltar.
Levantou-se devagar, vestiu uma roupa simples e foi até a cozinha. A luz estava acesa. Dona Teresa já estava ali, preparando o café como fazia todos os dias, no mesmo ritmo calmo de sempre.
— Bom dia, mãe — Helena disse, encostando-se à porta.
Dona Teresa se virou com um sorriso suave.
— Bom dia, minha filha. Acordou cedo.
— Nem consegui dormir direito. — respondeu, aproximando-se da mesa.
A mãe colocou uma xícara de café à frente dela e um pedaço de pão ainda quente.
— Come — disse apenas.
Helena obedeceu. Ficaram em silêncio por alguns minutos, até que ela respirou fundo.
— Eu preciso voltar hoje.
Dona Teresa não demonstrou