Na manhã seguinte, Helena acordou com a sensação de que não tinha realmente dormido. O corpo estava pesado, a mente cansada, como se tivesse passado a noite inteira tentando organizar sentimentos que simplesmente não se encaixavam. O silêncio do apartamento parecia maior do que o normal.
Ela sentou-se na cama, respirou fundo algumas vezes e pegou o celular. Antes mesmo de pensar duas vezes, ligou para Laura.
— Bom dia — disse, assim que a amiga atendeu, ainda com a voz meio sonolenta.
— Bom dia… — Laura respondeu, desconfiada. — Pela sua voz, alguma coisa aconteceu.
Helena soltou um suspiro longo.
— Eu decidi ir passar o fim de semana com a minha família.
— Sério? — Laura despertou na hora. — Assim, de repente?
— É… — Helena passou a mão pelo rosto. — Eu preciso respirar. Preciso sair um pouco daqui, sabe?
Laura ficou em silêncio por alguns segundos.
— E o jantar? — perguntou, com cuidado. — Como foi?
Helena fechou os olhos por um instante. Não era falta de confiança na amiga. Era aut