Helena respirou fundo antes de falar. Ainda sentia o corpo pesado, como se tivesse acordado de um sonho que não queria terminar — ou talvez de uma lembrança que insistia em ficar.
— Arthur… — chamou, a voz baixa. — Posso ir até o quarto falar com o Miguel?
Arthur levantou o olhar imediatamente. Havia preocupação ali, mas também algo mais profundo, algo que ele não conseguia nomear.
— Claro — respondeu. — Ele ficou bem mais calmo, mas… ficou assustado.
A culpa apertou o peito de Helena.
— Eu sei. Por isso quero falar com ele.
Ela caminhou pelo corredor com passos lentos. Cada detalhe daquela casa parecia carregado de uma estranha familiaridade. O quarto de Miguel estava iluminado pela luz suave do abajur. O desenho ainda passava na televisão, com cores vivas e vozes animadas que contrastavam com o que ela sentia por dentro.
Miguel estava sentado na cama, abraçando um travesseiro. Quando a viu, seus olhos brilharam, mas havia ali um resquício de medo.
Helena fechou a porta com cuidado e