Helena
Acordei naquela manhã com a sensação estranha de que algo tinha mudado dentro de mim, mesmo que nada, aparentemente, estivesse diferente. O teto do quarto era o mesmo, a luz suave entrando pela janela também, mas meu coração… ele estava inquieto. A lembrança do jantar com Lucas voltou como um sussurro gentil: a música, a dança, o quase beijo, a forma respeitosa como ele havia me olhado quando eu recuei.
Levantei-me devagar, tentando organizar os pensamentos, tomei um banho demorado, me vesti e fui para o trabalho.
O dia começou leve e tranquilo com as crianças, mas num determinado momento alguem entrou na sala:
— Dona Helena? — a voz do porteiro soou animada. — Tem flores pra senhora.
Flores.
Meu coração deu um pequeno salto. Quando vi o buquê, precisei conter o impulso de sorrir feito uma adolescente. Eram rosas brancas, delicadas, elegantes, perfeitamente organizadas. O perfume era suave, mas marcante.
No pequeno cartão preso entre as flores, reconheci a letra de Lucas.
“Obri