Arthur
Arthur não voltou para o escritório, foi com Miguel para casa. Disse a si mesmo que era por cansaço, por excesso de reuniões acumuladas, por qualquer motivo racional que pudesse servir de escudo. Mas a verdade era outra — uma verdade que ele se recusava a encarar de frente.
O toque.
A forma como a cintura de Helena havia se encaixado perfeitamente em suas mãos. A eletricidade imediata, brutal, atravessando seu corpo como um choque. Aquilo não era normal. Não era desejo simples. Não era curiosidade. Era algo mais fundo, mais antigo… quase reconhecível.
O silêncio do apartamento era quebrado apenas pelas risadas de Miguel que brincava com a babá.
Sentado no sofá, Arthur passou a mão pelos cabelos, inquieto.
— Controle-se — murmurou para si mesmo.
Mas quanto mais tentava se fechar, mais imagens surgiam em sua mente. O sorriso dela. O susto nos olhos quando quase caiu. O instante suspenso em que o mundo pareceu parar.
E então vieram as rosas.
As malditas rosas brancas.
Não era ciú