A noite caiu lenta e sufocante, como se o próprio mundo tivesse prendido a respiração. O vento soprava pelas frestas da casa abandonada onde haviam se refugiado, carregando um sussurro constante que parecia não vir de fora, mas de dentro das paredes.
Elô estava sentada em um colchão gasto no canto do quarto. Clara dormia profundamente ao seu lado, exausta, com a respiração pesada e o rosto ainda manchado de lágrimas. Miguel se mantinha acordado, encostado à porta, como um sentinela improvisado.