O dia amanheceu de um azul suave, quase transparente. O ar tinha o frescor de início de estação — o tipo de manhã em que o mundo parece limpo, refeito, prestes a começar outra vez. A bruma se erguia devagar sobre o rio, e a luz do sol se refletia nas águas, criando pequenas faíscas douradas que dançavam como lembranças.
Rafael acordou cedo. O quarto ainda guardava o perfume de Isadora — aquele cheiro discreto de ervas e papel antigo. A cama, arrumada, parecia guardar o calor do corpo dela. Ele