Os tiros ainda ecoavam na memória da cidade quando as sirenes surgiram ao longe, cortando o silêncio artificial da região afastada onde a mansão se erguia.
— Polícia — avisou um dos homens pelo rádio, tenso. — Dois carros. Aproximação lenta.
Mateo não mudou a expressão.
— Deixem entrar — disse, seco. — Yuri, chama os contatos.
Yuri já estava com o telefone no ouvido, andando de um lado para o outro com a calma de quem sabia exatamente como aquele jogo funcionava.
— Sim… aconteceu… troca de tiros… tentativa de invasão… — pausa. — Claro. O combinado segue de pé.
Mateo observava tudo de braços cruzados, o olhar distante. A polícia entrou, fez perguntas protocolares, olhou corpos, recolheu cápsulas.
Nada que dinheiro, armas e favores antigos não resolvessem.
Quarenta minutos depois, os carros foram embora.
— Arquivado como ataque externo — Yuri confirmou. — Vão alegar tentativa de sequestro contra a família Azepeta.
Mateo assentiu. — Melhor narrativa possível.
No andar de cima, Lia já est