A madrugada caiu pesada sobre a cidade.
No pátio externo da mansão, Mateo falava baixo com Yuri, os dois inclinados sobre o capô de um carro apagado, apenas a luz fraca do poste iluminando mapas e rotas no tablet.
— Ele não está tentando tomar território — Mateo disse, os olhos fixos na tela. — Está tentando provocar reação.
— Otton sempre foi assim — Yuri respondeu, seco. — Barulho antes de estratégia.
Mateo soltou um meio sorriso sem humor.
— Barulho denuncia desespero.
O som veio antes do aviso.
Um estampido seco.
Depois outro.
Depois muitos.
— Contato! — alguém gritou pelo rádio.
O primeiro tiro estourou o vidro lateral da guarita.
— Filho da p*ta… — Yuri já sacava a arma. — Ele veio pelo flanco norte.
Mateo levantou a cabeça, a calma evaporando.
— Proteção interna, agora. — falou no rádio. — Ninguém sobe sem minha ordem.
Mais tiros. Um carro acelerando e freando bruscamente. Gritos curtos. Ordens sendo lançadas no escuro.
— Ele quer parecer maior do que é — Mateo disse, já andan