Yuri foi o primeiro a perceber que algo tinha mudado.
Não foi o médico chegando — isso ele já tinha comunicado a Mateo, como manda o protocolo.
Foi o tempo.
O médico não saiu rápido.
E Lia não desceu.
Yuri encostou no batente do corredor quando Mateo apareceu, fechando o coldre da arma com um gesto automático.
— O médico ainda está lá em cima — Yuri disse, neutro demais para quem o conhecia há anos.
Mateo parou.
Não perguntou nada.
Só olhou.
— Ayla passou mal de novo? — a pergunta saiu baixa, controlada… mas o maxilar denunciava tensão.
Yuri assentiu uma única vez. — Lia pediu discrição.
Mateo respirou fundo, como se estivesse se preparando para atravessar um campo minado invisível.
— Obrigado por me avisar — disse. — Fica de olho no perímetro.
Subiu as escadas sem pressa, mas cada passo carregava algo que ele ainda não sabia nomear.
No quarto, Lia estava sentada ao lado de Ayla na cama. As mãos das duas ainda dadas. Olhos vermelhos. Silêncio espesso.
Quando Mateo entrou, ninguém falo