O envelope ainda estava aberto sobre a mesa quando o primeiro nome finalmente apareceu.
Mateo não precisou dizer em voz alta. O silêncio o denunciou.
— Isso não é um aviso qualquer — ele disse por fim, a voz firme, mas baixa. — É alguém que acompanhou a Ayla antes de tudo. Antes da mansão. Antes de Alex.
Ayla sentiu um frio percorrer a espinha. A foto ainda queimava na memória. Ela se lembrava daquele dia. Lembrava do cheiro do corredor, do som distante da rua, da sensação constante de estar sendo observada — mesmo sem nunca ter visto ninguém.
— Eu não reconheço o rosto — murmurou. — Mas reconheço a sensação.
Lia aproximou-se devagar, colocando-se ao lado dela. — Isso é perseguição — disse, sem rodeios. — E não começou agora.
Otton riu, seco. — Vocês estão dramatizando. Se alguém quisesse algo com ela, já teria tentado.
Mateo virou-se para ele com lentidão calculada. — É exatamente assim que começam os erros fatais.
O olhar de Otton escureceu. — Você está me acusando?
— Estou te avisa