O clima na sala ficou denso demais para caber em palavras.
Otton ainda estava de pé, os punhos cerrados, a mandíbula travada como se qualquer movimento em falso pudesse virar violência. O pacote aberto sobre a mesa parecia pequeno demais para causar tanto estrago — dois brincos verdes reluziam sob a luz, inocentes apenas na aparência.
— Ninguém toca nisso — Mateo ordenou novamente, a voz baixa, perigosa. — Yuri, eu quero um nome. Agora.
Yuri assentiu e já se virava para sair quando Lia o chamou, a voz mais firme do que o olhar denunciava: — Descubra rápido. Antes que isso vire boato.
Ayla permanecia imóvel, alguns passos afastada. Não tocou nos brincos, não tocou no bilhete. O colar em forma de gota pesava mais do que nunca contra sua pele. Algo naquela mensagem não era apenas galanteio — era provocação.
— Isso não é admiração — ela disse por fim, quebrando o silêncio. — É aviso.
Mateo virou-se imediatamente para ela. — O que você sentiu?
Ayla respirou fundo. — Quem mandou isso sabe m