Capítulo 33

O campo de tiro ainda ecoava quando Mateo percebeu:

não era mais apenas treino.

Era despedida de uma versão antiga de si mesmo.

Ayla recarregava a arma com movimentos firmes. O corpo alinhado, a respiração controlada. Ele havia ensinado cada detalhe, mas agora ela executava sem olhar para ele, sem esperar aprovação.

Atirava como quem já sabia exatamente onde queria chegar.

— Você está mais precisa — ele comentou.

— Estou mais consciente — respondeu.

— E isso assusta.

Mateo assentiu em silêncio. Também o assustava.

O último disparo ecoou seco. Ayla abaixou a arma e o encarou. — Chega de adiar, Mateo.

Ele a observou com atenção. — Eu sei.

E pela primeira vez… não fugiu.

Naquele fim de tarde, a mansão parecia diferente. Não mais hostil — alerta.

Homens cochichavam pelos corredores.

Olhares mudavam de direção quando Mateo passava. Não por medo. Por reconhecimento.

Lia terminou a pequena cerimônia quando o céu já escurecia.

Não havia discursos longos. Nem símbolos grandiosos. Apenas ve
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