A noite na mansão nunca dormia de verdade.
Mesmo quando os corredores silenciavam, eu sentia o prédio respirar. Portas que rangiam baixo demais para serem descuido. Passos que não ecoavam por acaso. Depois da negociação, tudo parecia… atento a mim.
Troquei o paletó por uma camisa preta mais leve, ainda masculina no corte, mas sem esconder quem eu era. Prendi o cabelo em um coque baixo. Ayla, não Alex. Ainda estranho. Ainda bom.
Quando saí do quarto, quase trombei com Mateo.
— Você anda em silêncio demais — ele disse, sério.
— Aprendi observando — respondi.
Ele me analisou com cuidado, como se procurasse rachaduras.
— Otton não gostou de você ter conduzido a negociação — comentou.
— Ele elogiou — rebati.
— Justamente.
Descemos juntos. Na sala de jantar, Otton estava recostado à mesa, conversando com dois homens que se calaram assim que me viram. Um deles pigarreou. O outro fingiu mexer no celular.
— Ayla — Otton chamou, sem desviar o olhar do copo. — Venha cá.
Mateo tensionou ao meu la