Precisava ir até o escritório, Yuri já tinha avisado.
As vezes sinto falta da menina boba que eu era, mas no fundo devo ser grata a eles por isso. Tenho meu salário, não tenho contas, tenho carro, casa, tenho tudo! Literalmente só perdi minha inocência, e sou grata a isso. Porém ainda não tive relações sexuais com ninguém, e na verdade não me faz falta, ser virgem a essa altura é a menor das minhas preocupações.
Penso demais, e por fim vou ao escritório.
O escritório de Otton parecia menor quando eu entrei.
Ou talvez fosse a forma como ele ocupava o espaço. Sentado atrás da mesa, paletó aberto, camisa escura, os olhos castanhos avermelhados presos em mim com uma atenção que não fingia mais neutralidade.
— Feche a porta, Ayla.
Obedeci.
O clique soou alto demais.
— Recebi relatos curiosos hoje — ele começou. — Distrações. Erros. Silêncios longos demais.
Não sei porquê, mas ele pareceu se divertir com tal situação.
— A mansão não lida bem com mudanças — respondi. — Vai passar.
Otton in