A madrugada avançou pesada.
Da janela do quarto, eu via o pátio ainda em movimento. Homens limpavam vestígios, recolhiam cápsulas, falavam baixo demais para ser apenas rotina. A mansão nunca dormia depois do sangue — ela vigiava.
Tirei a camisa manchada de poeira e pólvora, lavei o rosto na pia. Minhas mãos tremiam agora que a adrenalina tinha ido embora. Não de medo. De consciência.
Eu tinha sido rápida demais. Precisa demais.
E todos tinham visto.
Devo muito ao Mateo por ter me treinado nesse um ano.
Quando saí do banheiro, alguém bateu à porta. Duas batidas curtas. Uma longa.
Mateo.
Abri só o suficiente.
— Você não devia estar aqui — falei baixo. Já o repreendo, e o vi sorrir por um leve momento.
— Nem você deveria ter estado no pátio — ele respondeu, baixo.
Ficamos nos olhando por um segundo longo demais. O silêncio entre nós já não era seguro.
— Eu precisava ver você — disse ele. — Depois de hoje… depois de como Otton te olhou…
— Não começa — pedi.
Mateo respirou fundo, passando