POV NATHALIA
O quarto parecia um mausoléu dourado.
As cortinas de seda pesada fechavam a janela, abafando o som da cidade. O carpete persa era tão macio que meus pés afundavam, mas, para mim, tudo parecia áspero. Eu estava ali, no quarto que deveria ser a noite de núpcias, cercada de luxo, e me sentia como prisioneira.
Álvaro tirava os sapatos devagar, o paletó jogado numa cadeira, e o perfume forte dele — sempre aquele cheiro enjoativo de riqueza — impregnava o ar. Eu, na ponta da cama, com a