10

POV CATARINA

Acordei toda úmida depois de ter caído na piscina e desmaiado nos braços de José Eduardo. Não vi como fui parar no sofá da sala — só abri os olhos e me deparei com José Eduardo… me beijando.

Corine e tio Nestor se aproximaram depois que esbofeteei meu primo no rosto.

Na hora, eu estava com raiva, mas em seguida me arrependi, pensando se não havia exagerado.

— Você está bem? Tá sentindo alguma coisa? — perguntou Corine, preocupada.

— Não, eu tô melhor — respondi, ainda meio zonza.

— Graças a Deus, minha filha! — disse tio Nestor, aliviado.

— O que houve? — perguntei, sem graça. Eu ia completar com “… pra José Eduardo me beijar”, mas me calei. Acho que Corine e meu tio subentenderam.

— José estava apenas fazendo respiração boca a boca. Nós que pedimos a ele — explicou meu tio.

— Sim, ele ficou receoso. Não imaginávamos que você ficaria zangada. O pobre só tentou ajudar! — disse Corine, sorrindo.

Fiquei vermelha de vergonha.

— Meu Deus, como fui estúpida!

— Não foi, menina. Fica tranquila. Acordou assustada, faz parte — acalmou Corine.

— E o bofetão que meu filho levou, hein, Corine? O bicho ficou bravo. Minha sobrinha é pequena, mas tem um tapa certeiro! — riu tio Nestor, se divertindo com a lembrança.

— Afff, que vergonha… Meu Deus. O que eu faço, tio?

— Depois vá lá e fale com o José. Ele parece ser durão, mas tem um coração de manteiga.

“Coração de manteiga onde?”, pensei. Meu primo parecia me odiar.

— Sim, Catarina. Diga o que houve, que se assustou, ok? — apoiou Corine.

— Tá, eu vou fazer isso — concordei, já meio arrependida.

— Fará bem. Mas escuta, minha sobrinha, como foi que caiu na água? Saí um minuto e me disseram que você tinha caído.

Enquanto meu tio falava, olhei pela janela e vi Nathália e Leila, com taças nas mãos. Cochichavam, riam e brindavam olhando pra mim. Achavam que eu era um saco de pancadas? Que ia aceitar calada?

Pois bem: eu posso ser insuportável e muito vingativa. Na hora certa, elas iam pagar pela brincadeira.

— Ah, eu tropecei, tio. Sou desastrada… Aí caí na água. Só que eu não sei nadar.

— Menina, fique longe daquela piscina! Eu mesma não chego nem perto — disse Corine, com firmeza.

— Que bom que deu tudo certo. Mas agora você precisa de um banho quente e trocar essa roupa úmida — aconselhou meu tio.

— Eu vou.

— Devo chamar um médico?

— Não, tio. Tô legal, pode ficar sossegado.

Dei uma última olhada para fora. Aquelas duas iam me pagar.

Depois

Tomei um banho quente, troquei de roupa e fiquei no quarto, olhando pela janela, esperando as pessoas irem embora. Quando tudo ficou calmo, tomei coragem de ir até o quarto de José Eduardo.

A casa era grande, mas eu o vi entrando ali há pouco. Seria hora de pedir desculpas.

Parei em frente à porta e trinquei os dentes, tentando juntar coragem. Ensaiei bater uma, duas, três vezes… e desistia.

Até que finalmente, sem nem perceber, bati: “toc-toc”.

Esperei longos segundos, prendendo a respiração. Quando pensei que ele não estivesse lá e virei para desistir, ouvi o barulho da chave no trinco. A porta se abriu.

E então, ele surgiu:

— Veio aqui me bater do outro lado do rosto pra equilibrar, sua doida? — disse José Eduardo com o semblante fechado.

Meu queixo caiu.

O que eu estava vendo era surreal.

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