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POV CATARINA

José Eduardo estava vestindo apenas uma toalha. Os cabelos estavam úmidos e bagunçados e no tórax firme dele escorriam gotas de água. Não tinha se secado direito.

Também consegui ver o restante da musculatura do tronco, definida, com veias saltando levemente por baixo da pele.

Seu cheiro era de algum sabonete cítrico… ou erva doce.

— Que foi? — Disse ele tirando os olhos de mim e olhando pra si mesmo — Tem algo de errado comigo, garota? Fala aí o que você quer!

Eu engoli em seco lutando pra tirar os olhos do abdome dele.

— É… bem…

— Hum… Tô te ouvindo.

— Sei lá, eu vim pedir desculpas por ter te dado o tapa.

José Eduardo deixou a porta e caminhou pra dentro do quarto. Nesse momento pude ver as costas largas, igualmente definidas.

— Entra aí.

Travei. Eu não ia entrar no quarto dele.

— Não precisa. Só vim te pedir desculpas mesmo. Já vou pra cama.

— Larga de ser otaria só uma vez e entra no quarto, caramba!

O corredor estava vazio. Após pensar alguns segundos eu botei o pé calmamente pra dentro do quarto dele.

— É isso. Desculpa. — Repeti com certa apreensão.

Ele ainda estava de costas pra mim. Foi até uma cômoda e abriu uma gaveta. Tirou uma cueca de lá. Deus do céu, ele ia se trocar na minha frente?

— Qual foi? Fecha a porta.

— Não precisa fechar a porta, José. Eu já tô de saída.

— Ta com medo de mim? — Perguntou rindo.

— Não. Não é medo. — Respondi com esforço.

— Então o que é?

— Nada, nada demais.

Eu reparava os gestos dele com a cueca na mão. Parecia que a qualquer momento José Eduardo se livraria da toalha que envolvia o quadril e poria a peça íntima, ali, na minha frente.

— Você é sempre assim, menina?

— Assim como?

— Assim… Desconfiada. Tá devendo? — Ele riu — Tá devendo né?

— Não devo nada a ninguém, José Eduardo. Você que enfiou na cabeça que eu sou uma golpista de carreira. Eu tenho só dezoito anos, pensa…

— Ah, pobre moça camponesa sozinha no mundo. — desdenhou — Não convence, já disse!

— Não sou coitadinha mesmo não, tá certo? Mas tô longe de ser uma meliante estrategista. Sou sobrinha do seu pai e só vim parar aqui porque minha mãe morreu não faz nem dois dias!

Apesar de segurar até onde deu, meus olhos falharam e as lágrimas vieram se acumulando por entre as pálpebras.

— Já vi gente que chorou e me apunhalou pelas costas. Vai precisar mais do que isso.

— Caramba, cara! Qual o seu problema?

— O problema é que mulheres como você se fazem de frágeis, são bonitinhas, a gente sente que deve cuidar e aí BUM!!! Acabam com a gente como se fôssemos idiotas que não sentem nada… Nem todo homem é igual!

As palavras de José Eduardo saíram de maneira alvoroçada pela boca dele, como se fosse um desabafo. Ele estava refletindo alguma situação passada dele em mim.

Mas espera: ele me chamou de “bonitinha?”

POV JOSÉ EDUARDO

Há dois anos eu era jovem demais pra entender que com o amor não se brinca. Mas naquela época uma determinada garota brincou com o meu sentimento por ela e desde então eu me fechei pra qualquer mulher.

É uma longa história que eu não queria lembrar e de algum modo a chegada de Catarina despertou essas memórias na minha mente.

Vê-la ali chorando me fazia pensar se de novo um rostinho bonito feito o dela não queria apenas me manipular.

Eu não ia me permitir cometer o mesmo erro duas vezes.

~*~

POV JOSÉ EDUARDO

Dois anos antes….

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