Ciara Carroll
Meses se passaram. Uma névoa cinzenta de rotina e cautela cobriu a mansão.
A faculdade estava prestes a começar, um farol de normalidade no meu horizonte turbulento, mas mesmo assim, uma inquietação teimava em não me abandonar. Era como se, mesmo com Antoine reduzido a cinzas e o meu pesadelo terminado, uma parte de mim ainda estivesse trancada naquela sala escura, esperando pela próxima tragédia.
Giovanni sentia isso em mim. Eu via nos seus olhos, na maneira como me observava quando pensava que eu não notava, uma preocupação silenciosa. Ele queria devolver-me uma paz que eu mesma já não sabia como segurar.
Naquela tarde, o sol tentava bravamente espreitar por entre as nuvens cinzentas que cobriam a propriedade dos Sorrentino. Estava no picadeiro coberto, com Salvatore sentado à minha frente na sela do cavalo de madeira que Giovanni encomendara de um artesão da Toscana. O cavalo balançava suavemente, e os risos do meu pequeno príncipe ecoavam na vastidão do espaço, um so