Ciara Carroll
O momento de reconhecimento foi como um terremoto silencioso que abalava o meu mundo. A alegria pura e avassaladora que senti na varanda começou a dar lugar a uma tempestade de emoções conflituosas.
A euforia de os ver vivos misturava-se com o terror de me aproximar.
Quinze meses.
Quinze meses de inferno, de dor, de uma vida que eles nem sequer conseguiam imaginar. E o que eu lhes diria?
Como eu explicaria todas as marcas que Cian e Antoine fizeram, não só na minha alma, mas na nossa família?
A imagem do meu irmão, Ronan, caído no chão da nossa sala em Dublin, o sangue a escorrer da sua testa como um rio vermelho de horror, invadiu a minha mente com uma clareza dolorosa. O grito do meu pai, Aidan, no chão, a segurar o estômago após a surra de Cian, os seus olhos cheios de uma impotência que me partiu o coração.
— Não consigo, — sussurrei, recuando instintivamente para a sombra da varanda, como se eles me pudessem ver a esta distância. A minha mão apertou a de Giovanni co