Quando o silêncio quebra

Ágata entrou no escritório como fazia todos os dias, mas nada nela estava igual. O corpo estava ali. A mente, não. Havia algo pesado no ar, uma eletricidade desconfortável que ela reconheceu no instante em que viu Henrique.

Ele estava encostado na janela da sala dele, braços cruzados, olhar duro demais para quem costumava sorrir só com a presença dela. Não disse bom dia. Não fez comentário algum. Apenas a observou atravessar o corredor.

Aquilo foi o estopim.

Ágata largou a bolsa sobre a mesa, respirou fundo e caminhou até a porta da sala dele sem bater.

— A gente precisa conversar.

Henrique fechou a porta atrás dela. O clique soou alto demais.

— Eu sei — respondeu, a voz baixa.

Ela cruzou os braços, tentando sustentar uma firmeza que não sentia.

— Você some. Evita. Age como se nada tivesse acontecido. Como se eu fosse só… um erro de percurso.

Ele se aproximou um passo, depois parou.

— Não foi isso.

— Então o que foi, Henrique? — A voz dela falhou. — Porque pra mim pareceu muito real.
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