Os dias seguintes foram estranhos.
Henrique passou a evitar Ágata de forma quase visível. Falava apenas o necessário, mantinha distância, mergulhava em reuniões externas e chegava mais tarde do que o habitual. Para ele, era uma tentativa desesperada de retomar o controle. Para ela, soava como abandono.
Ágata sentiu o peso disso mais do que gostaria de admitir. A lembrança do que haviam vivido ainda pulsava no corpo, mas agora vinha acompanhada de uma sensação amarga. Tinha se entregado. Tinha permitido. E, de repente, parecia descartável.
Sem dizer nada, ela mudou.
Passou a sair no horário exato. Não estendia conversas. Não ficava além do necessário. A presença constante, o cuidado silencioso com o escritório, tudo continuava profissional… porém distante.
Henrique percebeu.
Sentiu falta do riso baixo dela no fim da tarde. Da voz firme organizando o caos. Da simples presença que tornava o escritório mais leve. A ausência dela, mesmo estando ali todos os dias, começou a incomodá-lo de u