A semana começou com um ritmo diferente. Não mais o atropelo silencioso de olhares escondidos nem a urgência dos corpos que se buscavam sem pensar. O escritório parecia o mesmo, mas Ágata sabia que não era. Ela também não era.
Chegou cedo, como sempre. Organizou a agenda, respondeu e-mails, revisou contratos. Tudo no lugar. Por fora, impecável. Por dentro, havia um tipo novo de atenção. Não aquela tensão elétrica que queimava a pele, mas uma vigília calma, quase solene.
Henrique chegou pouco depois. Cumprimentou os funcionários, passou por ela com um “bom dia” claro, direto, sem subtexto. Ágata respondeu da mesma forma. Nenhum sorriso prolongado. Nenhum silêncio carregado. Apenas normalidade.
E aquilo, curiosamente, exigia mais controle do que qualquer encontro clandestino.
Durante a manhã, trabalharam próximos, mas não juntos. Trocaram informações objetivas, resolveram pendências, alinharam decisões. Henrique percebeu como Ágata estava diferente. Mais firme. Menos reativa. Como se ti