Os dias seguintes se organizaram como peças frágeis sendo colocadas com cuidado sobre a mesa. Nada caiu. Nada quebrou. Mas tudo podia quebrar.
Ágata percebeu que o controle exigia energia. Não era negar o que sentia, era sustentar. No escritório, manteve a postura firme, profissional, quase serena demais para quem ainda sentia o corpo responder à simples presença dele. Henrique, por sua vez, parecia empenhado em aprender um idioma novo: o da contenção.
Eles se observavam à distância. Pequenos gestos denunciavam mais do que palavras. O modo como ele esperava que ela terminasse de falar antes de responder. O cuidado exagerado em não tocar, nem por acaso. A forma como Ágata organizava papéis que não precisavam ser organizados quando ele entrava na sala.
Era desejo em estado suspenso. Como eletricidade no ar antes da chuva.
Diana ligava com menos frequência, mas quando ligava, a voz vinha carregada de algo que Henrique conhecia bem: vigilância. Ele respondia com paciência, talvez mais do