Os dias seguintes passaram com uma estranheza calma, como se a vida tivesse diminuído o volume para que decisões importantes pudessem ser ouvidas por dentro. Nada explodiu. Nada se rompeu de forma espetacular. E, ainda assim, tudo estava em movimento.
Henrique começou a perceber o peso das pequenas coisas. O silêncio no jantar. As conversas automáticas. Os gestos repetidos que antes pareciam normais e agora soavam mecânicos. Diana cumpria seus papéis com precisão, mas havia algo diferente no olhar dela. Não era raiva. Era vigilância. Uma atenção afiada, quase estratégica.
Ele entendia. Diana sentia que o chão havia mudado, mesmo sem saber exatamente como.
No escritório, Henrique se tornara mais contido. Trabalhava com foco absoluto, evitava distrações e, principalmente, evitava situações que pudessem ser interpretadas de forma ambígua. Não por medo de Diana, mas por respeito a Ágata. Pela primeira vez, ele queria fazer certo, mesmo sem saber ao certo qual seria o final.
Ágata, por sua