Henrique ficou sozinho no escritório, a porta fechada atrás de si como um ponto final mal colocado. O silêncio não era ausência de som, era presença demais. Sentou-se devagar, passou a mão pelo rosto e respirou fundo. Pela primeira vez em muito tempo, não havia relatórios para revisar nem reuniões para adiar o inevitável. Restava apenas ele e a escolha que vinha sendo empurrada para debaixo do tapete há semanas.
De um lado, Diana. A esposa. A história compartilhada. O filho. A casa organizada, as datas comemorativas, os compromissos cumpridos quase por inércia. A segurança de uma vida que não doía, mas também já não incendiava.
Do outro, Ágata.
Não apenas a mulher. A presença. O impacto silencioso. A forma como ela o fazia prestar atenção de novo. Como se o mundo ganhasse contraste quando ela entrava numa sala. Não era só desejo físico. Era ser compreendido sem precisar explicar demais. Era se sentir visto em um lugar onde ele mesmo já tinha parado de se enxergar.
Henrique fechou os o