Diana não dormiu bem naquela noite. Henrique ao seu lado respirava pesado, como quem carrega algo no peito mesmo quando o corpo descansa. Ela permaneceu acordada, olhos fixos no teto, organizando sensações como peças de um quebra-cabeça que já não aceitava ser ignorado.
Não havia provas. Ainda não. Mas havia padrão. E padrões, Diana aprendera ao longo dos anos, eram confissões silenciosas.
Na manhã seguinte, ela fez algo simples. Preparou o café como sempre, beijou o filho antes da escola, desejou bom dia a Henrique com a mesma voz calma. Nenhuma acusação. Nenhuma cena. Apenas observação. A estratégia de quem caça com paciência.
Henrique saiu apressado, como vinha fazendo. Beijou-a no rosto, um gesto correto demais. O tipo de cuidado que tenta compensar algo não dito.
Quando a porta se fechou, Diana pegou o celular.
Não para bisbilhotar mensagens. Ainda não.
Ligou para uma amiga antiga, alguém que não devia explicações a ninguém.
— Você lembra daquela sensação de quando algo está erra