Naquela noite, Dante Marroquín havia sido impertinente com a garota que o acompanhava. Disse que ela era entediante — e, de fato, era. A moça era linda, isso ele não negava, mas também era o ser mais insosso que já havia conhecido. Não suportou mais um minuto em sua companhia e a mandou para casa de táxi. Não haveria mulher em sua cama naquela noite.
Quando chegou em casa, aconteceu o que sempre acontecia assim que entrava na sala: o rosto de Isabella Vilhenha parecia julgá-lo.
Dante se aproximou das fotografias alinhadas sobre a prateleira de madeira acima da lareira. Pegou uma em que sua falecida esposa aparecia sozinha. Ela usava um vestido curto, que cobria até a metade das coxas, e sustentava o ventre inchado com as duas mãos. Sorria; a pele brilhava, os olhos cintilavam. Aquela imagem, de repente, se transformou diante dele.
Isabella tornou-se uma mulher pálida e abatida, com olheiras profundas sob os olhos apagados. Essa era a Isabella que ele lembrava. Embora tivesse enchido a