O bebê havia acordado no meio da noite e Rafael o havia levado por toda a casa nos braços. Pensou que, a essa altura da vida, com toda a experiência de já ter criado três filhos, cuidar de mais um seria um passeio no parque. Mas não. Nada funcionava com o pequeno Gustavo. Colocá-lo na cadeirinha do carro sobre a secadora ligada não o fazia dormir como os outros. Ele era alérgico a quase todas as fórmulas de leite e tinha dificuldade para mamar no peito, por isso Elena precisava usar extratores. Além disso, fazia cocô mais do que qualquer um de seus outros filhos; Rafael sentia que, em uma semana, havia trocado mais fraldas do que em toda a sua vida.
Mas talvez o problema não fosse o bebê. Talvez o problema fossem Rafael e Elena. Estavam velhos demais para aquilo.
O choro o deixava exausto e ele não queria incomodar Elena, então ficou na sala. Colocou canções de ninar na televisão e sentou-se no sofá tentando ignorar os gemidos de Gusy. Estava prestes a adormecer quando a porta se abri