Mundo ficciónIniciar sesiónIsabelly aprendeu cedo que o amor pode ser o começo de tudo… ou o fim. Anos atrás, em uma noite marcada por silêncio e sangue, Isabelly perdeu tudo: sua família, sua inocência e qualquer chance de uma vida comum. O que restou foi um único propósito, encontrar o homem responsável e fazê-lo pagar. Foi isso que a transformou em uma das agentes mais implacáveis do FBI: fria, calculista e inalcançável. Até ele surgir. O encontro não deveria significar nada. Apenas uma visita casual à casa da sua melhor amiga. Apenas mais um rosto desconhecido. Mas bastou um olhar. Um instante. Um erro. Ele era tudo o que Isabelly nunca permitiria em sua vida: mais velho, enigmático, perigosamente sedutor… e irresistível. Isabelly era tudo o que ele não podia controlar e, ainda assim, passou a desejar como nunca desejou nada antes. O que começa como atração se transforma em obsessão. O que parecia ser amor se torna um jogo perigoso, onde segredos são escondidos atrás de sorrisos e toques que carregam mais mentiras do que verdades. Enquanto Isabelly se entrega ao homem que deveria evitar… Ele se aproxima cada vez mais da única pessoa que pode destruí-lo. Mas algumas verdades não permanecem enterradas para sempre. E quando o passado finalmente revela suas garras, Isabelly se vê diante de uma escolha impossível: seguir o coração… ou cumprir a promessa que a manteve viva por tantos anos. Porque o homem que Isabelly ama… pode ser exatamente aquele que Isabelly jurou matar. E quando esse momento chegar, não haverá espaço para redenção, apenas para uma decisão… que pode acabar com tudo.
Leer másO silêncio daquela noite fria não era comum. Era pesado... estranho... como se o próprio ar estivesse prendendo a respiração. Isabelly acordou assustada com o barulho que veio do andar de baixo.
— Mãe…?
A voz da menina ecoou baixinha pelo corredor, mas não houve resposta.
Isabelly tinha apenas dez anos, mas algo dentro dela dizia que alguma coisa estava errada.
A casa, estava quieta, seus pais deveriam estar dormindo àquela hora, sua irmã mais velha também, mas o barulho que escutara antes a fez caminhar para o quarto principal. O piso de madeira rangeu sob seus pés descalços. Entrou no quarto.
— Pai…? Tentou novamente, um pouco mais alto dessa vez.
Nada. A cama estava arrumada, perfeitamente arrumada. Ninguém estava no quarto. Ainda pensativa caminhou para o próximo quarto, o de sua irmã, mas ela também não estava lá. Ela saiu do quarto e desceu as escadas devagar, caminhou mais alguns passos, abraçando o próprio corpo, como se pudesse se proteger de algo que ainda não conseguia ver. Então veio o primeiro som, um estalo seco e depois… um baque. O coração dela começou a bater mais rápido.
— Mamãe…? Agora a voz tremia.
De repente viu uma trilha de gotas de sangue. “alguém estava machucado” pensou. Mas o estalo seguinte a fez para no lugar e logo mais dois estalos surgiram.
Um sussurro, de uma voz desconhecida, soou.
— Ainda falta uma.
A menina pareceu confusa de imediato, mas logo seu corpo reagiu antes da mente. Ela correu. Pequena, rápida, desesperada. Entrou no primeiro lugar que viu: o armário do corredor. Se escondeu entre casacos e caixas. Levou a mão à boca para abafar a respiração. Fizera do jeito que seus pais sempre ensinaram. Mas seu coraçãozinho parecia gritar dentro do peito.
Passos surgiram no corredor. Passos lentos, pesados, controlados. Alguém estava andando pela casa, alguém estava dominando aquele espaço. Isabelly fechou os olhos com força. Queria que aquilo fosse um pesadelo. Queria acordar. Mas o cheiro começou a invadir o ar. Mesmo sem entender completamente, ela reconheceu. Sangue, era cheiro de sangue. As lágrimas escorreram silenciosas pelo seu rosto pálido. Isabelly queria chamar a mãe. Queria correr até o pai. Ou abraçar a irmã. Mas algo dentro dela sussurrava: “Fique quieta… ou você morre também.”
Os passos se aproximaram, pararam bem diante do armário. O mundo inteiro parou junto, mas a maçaneta não girou. Houve um silêncio longo e cruel. E então… Os passos se afastaram. Isabelly não se moveu. Nem respirou direito, até que o tempo perdeu o sentido. Pareceu segundos… minutos…
Até que outro som veio. A porta da frente abrindo devagar. A menina, tremendo, se inclinou um pouco… só o suficiente para espiar pela fresta do armário. E foi aí que Isabelly viu. Um homem alto de postura impecável. Vestia um terno escuro, perfeitamente alinhado, como se estivesse saindo de uma reunião… não de um massacre. As mãos… limpas. Os cabelos bem cortados.
“Como alguém podia fazer algo tão horrível… e sair sem uma mancha sequer?” pensava ela.
Ele parou na porta por um segundo. Era como se soubesse, como se sentisse a presença dela. A menina prendeu o ar, os olhos arregalados, cheios de terror.
— Sobreviventes… A voz dele veio baixa, quase um pensamento. — Sempre causam problemas.
Isabelly levou a mão à boca com mais força.
“Não faça barulho. Não faça barulho. Não faça barulho.” Dizia em pensamentos.
Depois... um passo, dois, três. A porta se fechou e ele foi embora. Mas... o inferno ficou. O silêncio voltou, mas agora não era vazio, era cheio de morte.
A menina ficou ali por muito tempo. Até que as pernas pararam de tremer. Até que o medo virou algo mais profundo… algo frio. Quando finalmente saiu do armário, correu para encontrar os pais. Mas o mundo de Isabelly desmoronou.
No corredor, entre a sala e a área gourmet estava o corpo da mãe ensanguentado e logo a frente o corpo do pai e da irmã. Ela sentiu todo seu corpo tremer. Ficou paralisada por alguns segundos. Depois correu até o telefone e ligou para emergência. Não demorou muito, logo a emergência chegou e a policia também. Seus pais estavam mortos, sua irmã também. E aquele momento… algo dentro de Isabelly também morreu. Mas outra coisa nasceu, algo silencioso, paciente e perigoso.
Isabelly enxugou as lágrimas com as costas da mão, ainda tremendo. E sussurrou, com uma voz que já não era mais de criança:
— Eu vou te encontrar. E quando isso acontecer… Seus olhos, ainda cheios de dor, endureceram. — Você vai implorar para não ter me deixado viva.
Aquela noite terminou. Mas, para Isabelly… Nunca acabou.
Ela permaneceu em silêncio. O documento tremia levemente entre seus dedos. Porque aquilo era exatamente o tipo de oportunidade pela qual agentes trabalhavam anos para conseguir. Uma promoção. Uma liderança. Uma carreira de verdade. Mas também significava abandonar tudo. Abandonar a investigação. Abandonar suas pistas. Abandonar o passado. Abandonar sua vingança.— Você comandará sua própria equipe. Continuou Maroto.— Eu sei.— Terá autonomia.— Eu sei.— Terá recursos.— Eu sei.— Então por que essa expressão?Porque ele também sabia. Sabia exatamente o motivo dela.— Porque não é aqui.Maroto assentiu lentamente.— Não.— E você quer me mandar embora.— Eu quero salvar sua carreira.— Engraçado.— O que é engraçado?— Eu acho que você quer me manter longe de alguma coisa.Os olhos dele encontraram os dela. E permaneceram assim por alguns segundos. Longos demais. Silenciosos demais. Estranhos demais.— Você está vendo fantasmas novamente.— Talvez.— Ou talvez esteja tão obcecada que
Naquele fim de tarde, as horas pareciam ter conspirado contra Isabelly.Normalmente os minutos dentro da sala da administração se arrastavam como uma tortura lenta e silenciosa. Cada relatório parecia durar uma eternidade. Cada documento parecia multiplicar-se sozinho sobre sua mesa.Mas naquela tarde foi diferente. As horas passaram rápido demais. Rápidas o suficiente para fazê-la perceber algo que não queria admitir. Ela estava pensando no jantar. Pensando em Adrian Vasconcellos. E isso a irritava profundamente.Sentada diante do computador, tentou várias vezes se concentrar nos arquivos que precisava organizar. Leu o mesmo documento três vezes sem absorver uma única informação. Seu cérebro simplesmente se recusava a colaborar.Toda vez que tentava focar no trabalho, lembrava-se do pedido de Clara.Quando o relógio finalmente marcou o fim do expediente, Isabelly fechou o último arquivo com mais força do que o necessário. Pegou a bolsa. As chaves do carro. E levantou-se imediatamente
Mas Clara... Clara havia encontrado uma forma de atravessar suas muralhas. E isso a assustava. Mais do que admitiria.— Você sobreviveria. Respondeu por fim.— Não sobreviveria não.— Sobreviveria.— Não.— Sim.— Não.— Sim.— Chata.— Infantil.Clara cruzou os braços. Depois sorriu novamente. E foi então que Isabelly pegou sua bolsa.— Se já terminou o espetáculo, estou indo.— O quê?— Preciso voltar ao trabalho.— Não.— Como assim não?— Não pode ir.— Clara...— Espera.Ela segurou o braço da amiga. Com firmeza. Com urgência. Isabelly imediatamente percebeu a mudança em seu semblante.— O que foi?— Eu preciso de mais um favor.— Não.— Você nem ouviu.— Conheço você Clara.— Isabelly...— Não.— Por favor.— Não.— Por favor.— Clara.— Por favor.— Você está me irritando.— Ótimo, então está prestando atenção.Isabelly suspirou. Já conhecia aquela expressão. Sabia que a amiga não desistiria.— Fale.Clara respirou fundo.— Eu preciso que você jante conosco hoje.O silêncio cai
As duas saíram do campus universitário pouco depois do meio-dia.O sol brilhava forte sobre a cidade, mas Clara parecia incapaz de ficar parada por mais de três segundos. Andava de um lado para o outro. Falava sem parar. Gesticulava como se estivesse tentando resolver uma crise internacional.E Isabelly, como sempre, limitava-se a observá-la em silêncio.— Você está surtando.— Não, estou desesperada. Isso é diferente.— É exatamente a mesma coisa.Clara revirou os olhos.— Você não entende.— Entendo perfeitamente.— Não entende nada.— Seu pai vai jantar na sua casa.— Exatamente!— Continua não sendo motivo para pânico.Apesar da resposta atravessada, Clara acabou sorrindo.Era impossível permanecer nervosa perto de Isabelly por muito tempo. Aquela mulher tinha o estranho talento de transformar tragédias em situações administráveis. Ou pelo menos, menos assustadoras.Primeiro passaram em uma loja de decoração. Depois em outra. E mais outra. Clara queria comprar tudo. Absolutamente





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