Mundo de ficçãoIniciar sessãoUma semana depois, o anoitecer em Washington estava fria. Mas não tanto quanto Isabelly. A chuva fina escorria pelo vidro do prédio enquanto Isabelly atravessava o estacionamento sem se apressar. Finalizava mais um dia de trabalho. Caminhava com passos firmes, constantes, como sempre.
Isabelly já sabia que ele estava ali. Sentiu antes de ver.
— Você demorou.
A voz veio encostada no carro dela. Isabelly parou. Fechou os olhos por um segundo… não por fraqueza. Por controle. Quando abriu, já não havia nada além da mesma expressão neutra.
— Você continua cometendo os mesmos erros. Disse, sem sequer olhar para ele. — E ainda espera resultados diferentes.
Ele soltou uma leve risada.
— E você continua fugindo.
Agora Isabelly se virou devagar. E então o encarou sem surpresa, sem nenhuma emoção e nem saudade.
— Fugir implica medo. Ela respondeu fria. — E você não me causa isso.
O ex-namorado, James Fontes, deu um passo à frente. O olhar dele era carregado… arrependimento, desejo, frustração.
— Eu errei, ok? Disse, passando a mão pelo cabelo. — Eu já admiti isso mil vezes.
— Não o suficiente pra voltar no tempo.
Um breve silêncio entre eles. A chuva começou a cair mais forte. Pingos escorrendo pelo rosto dela, mas Isabelly nem piscava.
— Foi só uma vez. Ele insistiu. — Foi um erro idiota.
Isabelly soltou uma pequena risada. Mas não havia humor nenhum nela.
— Engraçado… Ela disse, inclinando levemente a cabeça. — Porque confiança não funciona assim.
Ele franziu a testa, tenso.
— Você está exagerando.
E foi aí que algo mudou em Isabelly. Não no rosto, mas no olhar. Algo frio, cortante, perigoso.
— Não. Isabelly disse, firme. — Eu estou sendo precisa.
Ela deu um passo à frente. Agora era Isabelly quem invadia o espaço dele.
— Você não destruiu o que a gente tinha por uma escolha. Ela continuou. — Você mostrou quem você é, quando achou que eu não estava olhando.
Ele engoliu seco.
— Eu me arrependi.
Ela respondeu friamente:
— Tarde demais.
— Você não pode simplesmente apagar tudo? Ele implorou.
Isabelly o encarou por um longo segundo. Um silêncio pesado. E então respondeu, baixa:
— Eu não apaguei. Ela fez uma pausa longa. — Eu aprendi.
As palavras ficaram no ar como uma sentença. Ele tentou tocar o braço dela, mas foi um erro. O movimento foi rápido. Isabelly segurou o pulso dele antes mesmo do toque acontecer. De maneira firme, controlada, sem esforço aparente.
— Não me toque.
A voz dela não subiu. Mas havia algo ali que fez ele congelar. Isabelly soltou o braço dele com desprezo.
— Você devia ter entendido isso da última vez.
Ele respirou fundo, claramente irritado agora.
— Você está agindo assim por causa de uma traição? Uma única vez.
Houve um silêncio breve. Isabelly o observou. E pela primeira vez… havia algo diferente, não era fraqueza. Era algo mais profundo.
— Não foi uma traição. A voz saiu mais baixa. Mais lenta. — Foi confirmação.
Ele franziu a testa.
— Confirmação? Do quê?
Isabelly sustentou o olhar dele. Sem desviar. Sem piscar.
— De que ninguém é o suficiente. De que todo mundo quebra... Continuou ela. — Mais cedo ou mais tarde.
Isabelly se afastou um passo.
— E de que confiar… Isabelly respirou fundo, mas manteve o controle — É só uma forma elegante de se destruir.
Ele ficou em silêncio. Sem resposta. Porque, no fundo… sabia que não estava falando só dele. Isabelly pegou as chaves do carro.
— Não me procura de novo. Ou vai se arrepender.
— Você não pode viver assim! Ele disparou.
Isabelly abriu a porta, parou, sem olhar para trás.
— Eu não vivo James. Ela deu uma pausa. — Eu funciono.
Entrou no carro. Ligou o motor. E foi embora. Sem hesitar, sem olhar no retrovisor, como sempre.
Mas, por dentro… algo ainda ardia. Não por ele. Nunca mais por ele. Mas pela verdade que Isabelly nunca dizia em voz alta: ela não confiava em ninguém…







