Mundo de ficçãoIniciar sessãoClara não sorriu, apenas segurou o braço da amiga com carinho e sussurrou:
— Ele chegou mais cedo que o esperado e nem avisou. Ela aproximou-se do ouvido de Isabelly cochichando. — Eu tive que encomendar o jantar.
— Serio!
Ela balançou a cabeça em afirmação.
— Ele está na sala. Disse Clara, puxando-a pelo braço. — Quero muito que ele te conheça.
— Clara...
Mas já era tarde. Elas viraram o corredor. E então… O mundo parou. Ele estava de pé. De costas. Falando ao telefone. A postura… impecável. O corpo… rígido, controlado. Terno escuro. Ajustado com perfeição. Algo dentro de Isabelly travou. Sem explicação. Sem aviso.
— Pai. Chamou Clara, animada. — Quero te apresentar alguém.
Ele virou. Devagar. Sem pressa. E quando os olhos deles se encontraram… Nada mais existiu. Não foi suave. Não foi bonito. Foi violento. Intenso. Como um impacto silencioso. Isabelly sentiu. No peito. Na respiração. No instinto.
Algo errado. Perigosamente errado. Mas… impossível de ignorar.
Os olhos dele a percorreram com calma. Detalhistas. Calculistas. Como se estivesse analisando cada parte de Isabelly. Memorizando. Possuindo.
— Então… A voz dele grave, controlada, mas carregada. — Você é a Isabelly.
Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação. Isabelly sustentou o olhar. Sem recuar. Sem quebrar.
— E você deve ser o motivo do jantar.
Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios dele. Mas não chegou aos olhos.
— Adrian Fontes.
Ele estendeu a mão. Isabelly olhou, por um segundo. Dois. Três. E então aceitou. E esse foi o pior erro que ela cometeu, mesmo sem saber..
O toque foi rápido, mas suficiente. Algo passou entre eles como eletricidade. E Isabelly percebeu o perigo.
Os dedos dele apertaram levemente os dela. Firme. Dominante. E demoraram um segundo a mais do que deveriam.
— Prazer. Ele disse, baixo.
Mas não soou como cortesia. Soou como um aviso distante. Isabelly puxou a mão de volta. Controlada por fora, mas o coração… lhe traiu. Um único batimento fora de ritmo. E Isabelly odiou isso.
— O prazer é relativo. Respondeu, fria.
Clara revirou os olhos.
— Ignore isso pai, Isabelly é sempre assim.
— Não. Adrian disse, sem desviar os olhos de Isabelly. — Eu gosto.
Por alguns segundos houve um silêncio pesado, carregado de tensão. Mas Clara não percebeu.
Cada segundo ali era um jogo. Um teste. Um risco.
— Então… — Clara quebrou o clima — vamos jantar?
Enquanto isso, durante o jantar Adrian observava cada movimento de Isabelly.
Cada respiração, cada detalhe. Cada traço de seu rosto. Até parecia que ele avaliava uma obra de arte. Mas Isabelly fingiu não perceber, agindo normalmente como se fosse um jantar comum, mas por dentro sentia seu coração batendo de forma descompensada. De repente seu telefone vibrou, era Maroto, seu chefe. Ela olhou para o nome na tela por alguns segundos. Não era comum ele fazer isso, mas se estava fazendo era algo sério.
— Com licença, é do trabalho. Ela se retirou da mesa e caminhou até uma certa distancia. — O que houve chefe?
Do outro lado da linha a voz parecia calma, mas Isabelly percebeu uma tensão.
— Preciso de você no departamento agora.
— Estou indo. Ela respondeu antes mesmo de pensar.
Isabelly retornou a mesa com a mesma calma que tentou demostrar durante aquele jantar.
— Eu preciso ir. Sinto muito Clara, mas o trabalho me chama.
Adrian deu um leve sorriso.
— Espero te ver mais vezes.
Clara se levantou e acompanhou sua amiga até a porta sem dizer uma palavra, mas antes que Isabelly cruzasse o hall ela sussurrou:
— Obrigada.
Isabelly havia ido embora, mas para Adrian ela ainda estava ali, aquela presença marcante o fascinava e ele a desejou. Queria para ele de uma forma que nunca quis ninguém. Era… obsessão. E ele reconheceu na hora, com uma clareza assustadora: “Isabelly seria um problema que ele precisava ter em sua cama”
E naquele instante ele decidiu que ela seria dele.







