O frio foi o primeiro a tocá-la.
Assim que atravessou as portas de vidro do aeroporto de Montreal, um vento gelado cortou seu rosto, penetrando o casaco que Blanca havia escolhido com tanto cuidado. Sophia estremeceu. Não só pelo clima, mas pela imensidão do que a esperava.
Ali estava ela. A milhares de quilômetros de tudo o que conhecia, com a mala em uma mão e um futuro incerto nas costas. Os alto-falantes falavam francês, inglês, às vezes misturavam os dois. Tudo era estranho, novo e um pouco assustador.
Até que a viu.
Sílvia.
Madrinha de sua mãe, e sua também por afeto. O rosto marcado pelo tempo, os cabelos curtos em tons de cinza, e o sorriso… ah, aquele sorriso aquecia como um cobertor de lã.
— Sophia! — exclamou, abrindo os braços.
Ela foi até a mulher e se deixou envolver pelo abraço. Forte, caloroso, sincero. Como um lar temporário que não exigia explicações.
— Está tão linda — disse Sílvia, afastando-se um pouco para olhar seu rosto. — Tão crescida… minha nossa, como o temp