Lorena
Ver ele ali, largado no sofá, com o cotovelo apoiado no joelho e a cabeça afundada nas mãos, doía mais do que qualquer porrada que a vida já me deu. O Kaíque que eu conheci lá no alto do morro era rei. Postura reta, olhar afiado, dedo no rádio e a boca na bala. Todo mundo respeitava. Todo mundo temia.
Mas aquele homem na minha sala…
Era só um cara quebrado.
Um soldado sem guerra.
Um menino que teve o mundo arrancado na marra e agora tentava aprender a ser “gente comum”.
E eu?
Eu tava dis