Kaíque
A rua parecia engolir meus passos naquele dia.
Sol rachando o asfalto, mochila nas costas pesando mais que culpa antiga, e a mão suando em cima da pilha de currículos que eu mesmo imprimi na lan house da vila. Cada passo era como arrancar um pedaço do que eu fui. Um rei sem trono. Um soldado sem guerra. Só um homem tentando ser digno.
Primeira parada: padaria da esquina.
Entrei com o boné na mão e o olhar firme, mas calmo. O gerente nem levantou direito os olhos, pegou o papel como quem