Kaíque
O barulho da oficina virou música no meu peito. Chave de roda girando, martelo batendo seco no ferro, motor tossindo fumaça e vida. Era como se cada som fosse uma pá cavando meu túmulo antigo pra me tirar de lá.
Sete da manhã. Todo santo dia. Eu tava de pé. De coturno furado, calça suja e alma lavada de suor. Graxa no rosto, debaixo da unha, até no riso. Mas o peito? Leve. Leve como nunca.
Seu Jailson, dono da oficina, era o tipo de cara que já viu muita merda nessa vida.
Olhar de quem s