Lorena
A favela fala. Não com palavras — com cheiro, olhar, batida de porta e passo apressado. Ela sussurra no beco, grita no portão, geme na alma de quem conhece o perigo de perto.
E naquele dia… ela tava respirando pesado.
Dava pra sentir na pele, igual arrepio que vem sem vento. Um peso no ar, uma inquietação que não tem explicação lógica, mas que a gente aprende a respeitar.
Kaíque tava lá, focado. Suando na oficina, com a mão cheia de graxa e o peito cheio de esperança. Mas eu… Eu já tinha