Laís
O dia amanheceu diferente. O despertador parecia mais alto, o céu mais claro e o café mais amargo. Quando cheguei à ONG, o pátio já estava arrumado como nunca: mesas alinhadas, pastas encadernadas com etiquetas coloridas, murais de fotos recém-colados mostrando o mutirão. O cheiro de café fresco misturado com bolo de fubá chegava da cozinha — obra de Dona Tereza e tia Zuleica, que haviam aparecido cedo com a justificativa de sempre: “pra tirar a cara de pânico de vocês”.
— Esse povo sério