O mar batia suave na encosta, como se respeitasse o silêncio que preenchia o quarto. As janelas abertas deixavam a brisa brincar com as cortinas de linho branco, e cada fio de tecido parecia dançar com o que não era dito.
Miguel estava de costas, ajeitando a camisa no corpo largo. Tinha acabado de sair do banho, e a toalha ainda pendia do ombro. A barba por fazer, os cabelos um pouco bagunçados, o olhar fixo no reflexo do vidro. Como se buscasse ali um passado que, por muito tempo, tentou apaga