O sol tocava a fachada da antiga sede da ONG com a ternura de quem acaricia uma lembrança boa.
Anyellen e Miguel caminhavam de mãos dadas pela calçada de pedras irregulares que um dia ela havia varrido com lágrimas nos olhos — e hoje, pisava com o coração tranquilo.
Não havia mais grades no portão. Não havia mais medo na alma.
— Você lembra do cheiro daqui? — ela perguntou, olhando o jardim onde um dia sonhou ser livre.
— Lembro de tudo.
Do cheiro da tinta descascada…
Do som dos passos apressad