Mundo de ficçãoIniciar sessãoChloe achava que tinha a vida perfeita. Prestes a se casar, herdeira de uma tradicional família de vinhedos, ela nunca imaginou que seria traída pelas duas mulheres em quem mais confiava: a própria irmã e a madrasta. Drogada durante sua despedida de solteira, ela acordou na cama de um desconhecido… e foi flagrada pelo noivo na manhã seguinte. Humilhada, expulsa de casa e abandonada por todos, Chloe foi enviada para longe para carregar sozinha as consequências daquela noite que não consegue lembrar. Mas ela não voltou sozinha. Dez anos depois, Chloe retorna à cidade natal ao descobrir que o pai sofreu um infarto. O império da família está à beira da falência, enquanto sua irmã e madrasta continuam destruindo tudo o que ele construiu. Desesperada para salvar o pai e proteger o futuro do filho, ela se vê diante de um homem tão poderoso quanto perigoso: Andrew Jhonson, o enólogo mais famoso dos Estados Unidos. Bilionário, arrogante e irresistível, Andrew é conhecido tanto pelos vinhos raros que produz quanto pela fama de conquistador impiedoso. E agora ele é o maior credor da família de Chloe. A única saída? Um casamento por contrato. Presos em uma relação cercada por segredos, provocações e desejo proibido, Chloe tenta ignorar o ódio que sente por Andrew… enquanto o magnata parece esconder muito mais do que demonstra. Porque quanto mais ela se aproxima dele, mais percebe que aquela noite que destruiu sua vida talvez não tenha sido um simples acidente. E que o homem que ela jurou odiar pode ser o único capaz de revelar a verdade.
Ler maisAndrew
Eu olhava através da parede de vidro do meu novo apartamento. Adorava a vista daquela cidade e entendia porque meu pai se apaixonou por ela. Com vinte e cinco anos, eu podia ser considerado o maior empresário da atualidade. Fiz minha fortuna a partir de um dinheiro maldito, me formei, era um enólogo perfeito e tinha um plano traçado para me vingar do que vivi. Fui criado em Berkeley. Vinha de uma família humilde, mas feliz. Era filho único de Samantha e Joseph Johnson, os dois profissionais de um hotel praieiro de grande porte. Em Berkeley, o turismo gerava a economia da cidade, principalmente para conhecer as praias. Eu fui criado desde muito pequeno, passando de mão em mão pelos funcionários do hotel onde minha mãe era recepcionista noturna e meu pai, maître no restaurante. Vivíamos em um chalé atrás do hotel, fazíamos nossas refeições no restaurante do hotel com os funcionários dos dois turnos. A vida era humilde mas confortável e meu pai deixava minha mãe no serviço e ia para universidade. Ele era muito inteligente e tinha um sonho. Quando se formou, eu já tinha sete anos e uma vasta lembrança de amor e cumplicidade. Meu pai brincava comigo de aviãozinho pelas praias, minha mãe quando estava junto, sorria muito e seus olhos brilhavam. Um ano depois, meu pai teve uma ideia brilhante e trabalhou para desenvolvê-la. Chegou a hora de vender, e precisou viajar em suas férias, para Napa. Ele teria um encontro com um empresário de um vinhedo para apresentar sua ideia. Quando voltou, estava empolgado e alegre. Dizia que deixou o projeto para o Beringer estudar e o novo encontro seria dali a quinze dias. Se conseguisse fechar negócio, queria comprar uma casinha naquela cidade linda. Já tinha pesquisado. O custo de vida ali era bem mais barato e a cidade era muito menor, o que me traria melhor qualidade de vida. A empolgação dele era contagiante, só se falava disso em casa e nos projetos para a mudança, e a vida na nova cidade. Mas quando ele voltou do segundo encontro, estava transtornado. Nada mais foi como antes. Minha mãe não sorria mais, eles brigavam, e meu pai veio dormir comigo em meu quarto. Ninguém falava mais na vida nova e os Beringer viraram assunto proibido em casa. Eu tinha medo de que meus pais se divorciassem. Mas rapidamente, tudo começou a se ajeitar, pois eles se amavam muito e a compreensão vinha. Meu pai voltou a dormir com minha mãe e timidamente, ela voltou a sorrir. Até uns três meses depois um carro muito chique encostar na porta do chalé, e um senhor muito distinto saltar procurando pelo meu pai. Ele entrou e eu achei que a conversa estava demorando e fui espiar. Foi quando vi o homem muito nervoso, jogando um pacote pardo em meu pai, e minha mãe chorando silenciosamente. O homem saiu e eu ouvi minha mãe falando para meu pai: — Suporto tudo, mas um filho não. Eu quero o divórcio. Transtornado, meu pai saiu em direção a praia e eu fui atrás. Sentei ao lado dele na areia e então meu pai começou a falar: — Vou te ensinar duas lições muito importantes com a história que vou contar para você agora. A primeira, é nunca aceitar nada que ninguém te ofereça. A segunda, não transar sem camisinha, porque filho não é algo que você faça e deixe jogado pelo mundo. Eu só ouvia e assentia. Não estava entendendo a metade do que ele estava falando, até ele contar: — Na segunda vez que fui para Napa, o senhor Beringer precisou se ausentar e me deixou aguardando por ele em sua casa. A mulher dele, louca, tentou me seduzir e eu disse que era casado e não traía, e ela deveria fazer o mesmo. Ela me disse que só queria tomar um vinho comigo e se eu pudesse ouvi-la, já ajudava. Aceitei, não tinha para onde correr mesmo. Ela me serviu o vinho e começou a contar que era casada de aparências há quase um ano, que o marido não a tocava porque era apaixonado em um fantasma e ela estava fadada a viver um casamento sem sexo e criar a filha dele. Para mim, aquela era uma conversa de malucos e eu queria ir embora. Mas comecei a sentir minha cabeça pesar e meu corpo esquentar. Sua mãe e eu vimos muito o golpe do “Acorda, Cinderela!” ser usado no hotel. Oportunistas aplicavam no homem para ele ficar doido e fazer sexo com elas, normalmente sem preservativos, e depois ela dar o golpe da barriga. Mas eu nunca pensei que aquela diaba ia me drogar, e por fim, acabou que o marido chegou com a menina pequena nos braços, e me pegou refastelado com a mulher dele. Eu voltei, contei pra sua mãe e foi muito difícil convencê-la de que não foi uma traição, e que eu não tive culpa. Quando a gente estava começando a se entender, acontece isso. Esse homem vem aqui me procurar dizendo que aquela louca está grávida de mim, que ele vai assumir e que eu lhe ensinei que tem uma mulher boa em casa, e pra nunca mais chegar perto deles. Agora, não sei como vou viver sem a sua mãe, com você longe e um filho perdido no mundo. — Tudo vai se ajeitar, pai. Esfria a cabeça e vai conversar com a mamãe. — Está certo. Vou esfriar a cabeça. Volta pra casa e fica com sua mãe. No auge dos meus nove anos, vi meu pai entrar no mar e não obedeci o que ele havia me pedido. Fiquei esperando-o sair para voltarmos juntos. Mas ele não voltou. Ele nadou para o mais fundo que conseguiu e três dias depois, o mar o devolveu em uma praia longe de casa. Fiquei amargurado, mas a minha mãe não me deixou sofrer muito tempo. Disse que me criaria para ser o agente da vingança dela. E o monte de dinheiro que Beringer jogou em meu pai, é que ia pagar por isso. Cresci, com minha mãe me treinando para ser o mais elegante e sofisticado possível, estudei, me empenhei, usei o dinheiro para fazer o projeto do meu pai dar certo e aos vinte e cinco anos, já era um bilionário. Sempre tive muitas mulheres, mas não me apegava a nenhuma. Tinha uma missão: destruir o homem que humilhou meu pai a ponto dele se matar, e a mulher que o drogou e obrigou a transar com ela e engravidar. Minha mãe monitorou a vida dos Beringer desde aquele dia, e eu sabia que tinha uma irmã. Apenas ela escaparia da minha ira. Nem a outra filha, a que financiava o casamento perfeito dele, seria poupada. E era nisso que eu pensava enquanto olhava a bela cidade que meu pai sonhou em morar um dia…ChloeAcordei com o barulho de chuveiro e abri os olhos. Percebi que estava no quarto de hotel e me lembrei de Emma dizendo que alugou um quarto para não irmos embora bêbadas. Sorri e achei que era Emma quem estava tomando banho. Levantei, ia dar um susto nela. Percebi que estava nua e vi uma mancha roxa próximo ao meu seio.— Merda. Vai aparecer no decote do vestido. Mamãe vai ter que passar base e esconder essa pancada.Tentava me lembrar quando foi que fiz aquela porcaria em minha pele, até que vieram flashes de memória de um homem beijando meus seios. Balancei a cabeça, mas os flashes voltavam sem serem evocados. Eu estava sendo beijada e possuída por um homem que não era meu noivo. E estava gostando muito. Ouvi sua voz gemendo em minha cabeça e levantei desesperada.— Não, não, não, não, não… — Não adiantava negar para as lembranças irem embora. Foi quando eu vi em cima da mesa: celular, carteira, relógio de ouro. Um copo de whisky com menos de um dedo da bebida âmbar ao lado d
AndrewMe estabeleci rapidamente na cidade. De longe já vinha fazendo algumas investidas para os Beringer perder o dinheiro. Iria dar o xeque-mate em breve, e então descobri que o presidente da minha cooperativa iria se aposentar e passar o bastão para o filho, que era ninguém menos que o noivo de uma das Beringer. Eu não estava acreditando naquilo. Tanto trabalho e dinheiro investido na cooperativa para tirar clientes deles, para no final um playboy tolo incluí-los no meu projeto, e eles acabarem ainda mais fortes. Eu não sabia o que fazer, e resolvi começar a mostrar a cara. A primeira coisa que fiz foi enviar um recado para Jenny Beringer, dizendo que se ela não viesse se encontrar comigo, toda a história da filha dela seria espalhada pela cidade.Estava ansioso por esse encontro. Eu era sádico, sim. Queria conhecer a mulher que matou meu pai e destruiu minha mãe, enquanto ela ainda estava por cima. Pra avisar que ela ainda rastejaria aos meus pés.Quando cheguei ao hotel, meia h
Chloe Ainda não estava acreditando que tinha aceitado aquela palhaçada. Por que deixei minha mãe e minha irmã me convencerem de que deixar Emma planejar uma despedida de solteira mascarada seria uma boa ideia?Mas Emma estava se divertindo, então eu só deixei. Eu disse que não iria mover uma palha, apenas estaria por lá. Agora estava ali, vestida de coelhinha e com uma máscara com orelhas e tudo. Pelo menos, a máscara cobria meu rosto e ninguém me reconheceria.Quando cheguei ao hotel de luxo que minha irmã reservou para a festividade, não acreditei. Era um dos lugares mais caros da cidade. Eu entendi por que meu pai estava com dificuldades financeiras: Emma gastava sem se preocupar com o amanhã…Enfim, notei que a área VIP reservada era de muito bom tom e tinha várias amigas dela lá, todas fantasiadas e de máscaras. A única que reconheci, mesmo mascarada, foi Letícia. Ainda assim porque é a única ruiva em meio às amigas barulhentas de Emma. Quase me arrependi e voltei para trás, qu
ChloeQuando falei com meu pai sobre me mudar para estudar, ele muito nervoso conversou comigo, à mesa do jantar, com toda a família presente:— Você não pode fazer isso comigo, Chloe. O menino Brian vai te pedir em casamento nesse final de semana.— Gosto muito de Brian papai, e se ele me pedir em casamento, vou aceitar, mas se ele concordar de que minha formação e carreira são mais importantes nesse momento. Somos jovens, temos toda uma vida para formar uma família, mas depois que eu for independente e auto suficiente. Samuel já está providenciando minha matrícula e moradia.— Você não pode fazer isso. Brian não vai aceitar ficar três anos afastado de você.— Cinco, papai. Depois tem capacitação e eu pretendo concluir todas as fases antes de voltar para a cidade. E se Brian não aceitar isso, paciência…— Não. Você não vai. Você vai ficar, se casar com Brian e salvar sua família.— Salvar minha família? Do que está falando, papai?— Não me associar à cooperativa de Forman quatro anos










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