Eu sempre fui boa em não ser vista. Não no sentido literal — eu não era um fantasma, nem nada assim — mas de alguma forma, ao longo dos meus 31 anos, aprendi a ocupar o menor espaço possível no mundo.Sempre usando roupas neutras, preferindo tons de cinza, grafite, preto e branco para trabalhar, um coque impecável, alinhado, sem um único fio solto, o que talvez seja um traço enorme de um TOC nunca diagnosticado. Para ajudar, também mantinha sempre a postura reta e passos tão silenciosos quanto meus saltos mínimos de 2 centímetros permitiam.Uma mulher que não incomoda, não chama atenção, não atrapalha. Uma verdadeira sombra eficiente. E, sendo sincera, por muito tempo, achei que isso era uma virtude.Na Blackstone Corp, eu era conhecida por quase todos como “a secretária do Sr. Blackstone”, quase nunca “Esther” ou “Senhorita Duarte” ou “a funcionária brilhante que ajuda essa empresa a continuar funcionando”.Só a secretária.Mas, como eu sempre aceitei isso, agora não posso recla
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